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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Mulheres loiras traem mais


O site Cheaterville.com, que funciona como uma rede social com o tema traições (os usuários escrevem bobeiras depoimentos sobre antigos casos e namorados que já os traíram), analisou os dados e histórias das pessoas cadastradas e descobriu que as loiras costumam trair mais do que as morenas. Entre as mulheres que confessaram já ter traído um parceiro, 42% eram loiras. As ruivas apareciam em segundo lugar, com 23%, seguidas pelas moças de cabelos castanhos (20%) e pretos (11%).
Já entre os homens, os mais sacanas do site tinham cabelos castanhos (em 40% das traições eram deles). Depois vinham os donos de cabeleiras pretas (32%), loiros (20%) e ruivos (5%).
Ou seja, se pessoas inteligentes traem mais, e loiras pulam mais a cerca, é o fim da linha para aquele papo de “loira burra” (viu, tudo tem um lado bom). Mas talvez isso seja culpa dos homens, que, dizem por aí, preferem as loiras.
Dá para concordar com essa pesquisa?
Crédito da foto: flickr.com/mkorchia

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Células-tronco podem ser extraídas do sangue

Unidades que reparam vasos danificados foram convertidos em células-tronco
Método britânico é mais seguro e eficiente que sistema conhecidos até agora, segundo estudo.    

Cientistas da Universidade de Cambridge desenvolveram uma técnica de produção de células-tronco a partir do sangue dos próprios pacientes, o que pode abrir caminho para novos tratamentos de uma série de doenças, segundo o estudo publicado no jornal especializado Translational Medicine.

As células foram usadas para a produção de vasos sanguíneos. Segundo o estudo, os pesquisadores acreditam que o método possa se tornar um dos mais seguros e rápidos para a extração de células-tronco, mas alertaram que ainda não têm certeza se o procedimento é totalmente viável.

Embora seu uso seja motivo de polêmica, as células-troncos são uma das maiores esperanças da medicina científica. Elas podem se transformar em qualquer outra célula ou tecido do corpo, podendo, portanto, restaurar partes danificadas do coração, do cérebro e até dos olhos e dos ossos.

Uma das fontes das células-troncos são os embriões, mas esse método de extração é bastante controverso. Além disso, tais células podem ser rejeitadas pelo corpo receptor assim como ocorre com os transplantes de órgãos. Há pesquisas que mostram que células da pele retiradas de adultos podem ser convertidas em células-tronco e que não há riscos de rejeição.

A equipe de Cambridge procurou nas amostras sanguíneas células reparadoras capazes de restaurar os vasos danificados. Essas unidades, posteriormente, foram convertidas em células-tronco.

Amer Rana, uma das pesquisadoras envolvidas, afirmou que o método é melhor que aquele que extrai as células da pele. "Estamos empolgados por termos desenvolvido um método prático e eficiente para criar células-tronco a partir de uma unidade sanguínea. A biópsia de tecidos não é desejável para crianças e idosos, mas ter amostras de sangue coletadas é comum para todos os pacientes", disse.

Ainda segundo a pesquisadora, as células coletadas pareciam mais seguras para uso que as provenientes da pele. "O fato de essas estruturas serem estáveis é promissor. O próximo estágio obviamente é dizer 'se podemos fazer isso, vamos produzir células para tratamentos clínicos'. Poderemos então usar essa tecnologia nas clínicas pela primeira vez", concluiu.

Chris Mason, especialista em medicina regenerativa na Universidade de Londres, disse que o trabalho de Cambridge é "maravilhoso". "É muito mais fácil pegar células-tronco de amostras sanguíneas que de amostras de pele. É um grande avanço. Mas as células-tronco pluripotentes (aquelas convertidas a partir de células adultas) ainda são novas, precisamos de mais experiência para reprogramar as células de uma maneira totalmente segura', completou.

Fonte: Estadão

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Cientistas descobrem gene da 'bebedeira'


Portadores de variação genética teriam maior propensão ao consumo exagerado de álcool. Cientistas acreditam ter descoberto uma variação de um gene que incentiva o consumo exagerado de álcool em algumas pessoas.
O gene, conhecido como RASGRF-2, eleva o nível de substâncias químicas presentes no cérebro associadas à sensação de felicidade e acionadas com a ingestão de bebidas alcoólicas, informou a revista científica "PNAS".
A equipe de pesquisadores, formada por especialistas da Universidade King's College, de Londres, descobriu que animais que não possuíam a variação do gene tinham menos 'desejo' por álcool do que aqueles que apresentavam tal alteração.
O estudo também analisou exames de ressonância magnética dos cérebros de 663 adolescentes do sexo masculino.
Quando os pesquisadores questionaram os adolescentes sobre seus hábitos de consumo de álcool dois anos depois, descobriram que aqueles que tinham a variação do gene RASGRF-2 bebiam mais frequentemente.O mapeamento revelou que em portadores da versão do gene associada à "bebedeira", todos com 14 anos de idade, havia uma atividade maior em uma parte do cérebro chamada estriado ventral, conhecida por liberar dopamina, substância associada à sensação de prazer.
Contudo, o responsável pelo estudo, Gunter Schumann, explicou que ainda não há provas contundentes de que o gene, sozinho, provocaria a compulsão alcoólica, uma vez que outros fatores ambientais e genéticos também estão envolvidos.
Ele ressaltou, por outro lado, que a descoberta é importante porque joga luz sobre os motivos pelos quais algumas pessoas tendem a ser mais vulneráveis ao álcool do que outras.
"Nosso estudo indica que talvez este gene regule a sensação de bem estar que o álcool oferece para determinados indivíduos", explicou.
"As pessoas buscam situações que provoquem tal sensação de 'recompensa' e deixem-nas felizes. Portanto, se o seu cérebro for condicionado a atingir tal estágio por meio do álcool, é provável que sempre procure essa estratégia afim de alcançar tal meta".
"Agora nós entendemos a cadeia da ação: como os genes moldam a função em nossos cérebros e como que, em contrapartida, isso afeta o comportamento humano".
"Nós descobrimos que o gene RASGRF-2 tem um papel crucial em controlar como o álcool estimula o cérebro a liberar dopamina e, em seguida, ativa a sensação de recompensa".
"Portanto, para as pessoas que têm a variação genética do gene RASGRF-2, o álcool lhes proporciona uma maior sensação de recompensa, levando-as a se tornar beberrões".
Schumann reiterou, entretanto, que mais provas são necessárias para comprovar sua hipótese. Ele alertou que o estudo analisou apenas adolescentes do sexo masculino e de uma determinada idade, o que dificultaria estabelecer tendências de consumo de bebidas alcoólicas ao longo prazo.
Ele disse que, no futuro, pode ser possível realizar testes genéticos para ajudar a prever quais pessoas estão mais propensas ao consumo excessivo de álcool.
As descobertas também abririam caminho a novas drogas que bloqueiam o efeito de recompensa que algumas pessoas têm após ingerir bebida alcoólica.
Por outro lado, Dominique Florin, da entidade britânica Medical Council on Alcohol, faz um alerta.
"É provável que haja um componente genético relacionado ao consumo exagerado de álcool, mas isso não quer dizer que se você tiver o gene, você não pode beber, enquanto se você não o tiver, você pode beber o quanto quiser".

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Tudo sobre Hiperêmese gravídica


O que é Hiperêmese gravídica?

Hiperênese gravídica tem relação com hormônio HCG
Por conta das alterações hormonais, a maioria das grávidas apresenta um quadro de êmese gravídica, ou seja, vômitos durante a gravidez. Essa é uma alteração fisiológica natural da gestante, que pode ser controlada com uma alimentação saudável e fracionada. Já a hiperêmese gravídica é o excesso de náuseas e vômitos durante a gestação, impedindo a gestante de comer adequadamente e atrapalhando a rotina. Tanto a ênese quanto a hiperêmese gravídica são mais comuns no primeiro trimestre de gestação, mas dependendo da gravidade podem durar até 20 semanas. Até um 1,5% da população pode sofrer com a doença.

Causas

Tanto a êmese quanto a hiperêmese são causadas pelo hormônio HCG, que é produzido pela placenta durante a gestação, causando os vômitos. Por conta disso, é comum mulheres com altos níveis desse hormônio serem mais suscetíveis à hiperêmese, assim como grávidas de gêmeos, pois a placenta é maior e portanto produz mais hormônios. No entanto, pode ser que a uma gestante com níveis normais de HCG sofra hiperêmese, assim com uma grávida com altos níveis do hormônio não sofra - essa não é uma relação direta. Ela também é comumente relacionada com mulheres que sofrem de algum distúrbio psicológico, como depressão ou gravidez indesejada, mas não existem estudos que comprovem essa relação.

Sintomas de Hiperêmese gravídica

A grávida vomita tudo o que come, apresenta ganho de peso abaixo dos sete quilos ou emagrecimento, boca seca e tem uma constante sensação de fraqueza e mal-estar. A gestante também não percebe melhora no quadro nem mesmo com uso de medicamentos regulares para enjoo.

Buscando ajuda médica

Se a grávida perceber que os vômitos não passam, o melhor a fazer é procurar um médico obstetra, de preferência aquele que está acompanhando a gestação desde o início nas avaliações de pré-natal. Ele fará uma análise clínica do quadro e um exame de sangue, para entender a gravidade do problema e se houve um desequilíbrio eletrolítico (perda excessiva de sódio, potássio, cloro e outros minerais), comum em casos de desidratação. É possível que o médico também faça outros exames para descartar a possibilidade de outras doenças que têm o vômito como sintoma, como problemas na vesícula e até mesmo câncer. Tudo dependerá do histórico médico da gestante.

Tratamento de Hiperêmese gravídica

Pelo fato de a gestante não conseguir se alimentar por via oral sem vomitar, a recomendação é interná-la para que receba soro na veia e faça um jejum absoluto com acompanhamento médico. A medicação administrada por via venosa é a mesma usada para combater as náuseas da quimioterapia.

Complicações possíveis

Equilíbrio hidroeletrolítico e desidratação para a gestante, que podem acarretar em baixo peso e nascimento de bebê prematuro.

Prevenção

Não existem orientações específicas para prevenir a hiperêmese gravídica. No pré-natal, normalmente o obstetra recomenda uma dieta fracionada, evitando grandes porções e longos períodos em jejum, deixando de lado alimentos muito gordurosos e condimentados.

Fonte: Minha Vida

sábado, 1 de dezembro de 2012

Pesquisadores fotografam dupla hélice do DNA pela primeira vez


Você aprendeu lá nas aulas de biologia: o DNA, que armazena todas as informações biológicas do organismo, tem o formato de dupla hélice. Esse modelo foi proposto por James Watson e H.C. Crick em 1953 e tinha sido comprovado por técnicas antigas, que conseguiam converter padrões de pontos em imagens através de cálculos matemáticos.
Mas, ver mesmo a dupla hélice, ninguém tinha visto. Até  agora. Pela primeira vez, cientistas conseguiram capturar uma imagem real do DNA usando um microscópio eletrônico. A imagem foi feita por meio de um processo complexo pelo cientista Enzo di Fabrizio na Universidade de Gênova, na Itália. Os detalhes da técnica usada estão no artigo “Imagem Direta de Fibras de DNA: A Fisionomia da Dupla Hélice”, em tradução livre, publicado no site Nano Letters.
Além de confirmar o modelo da dupla hélice, a imagem também permite ver o tamanho do espaçamento entre os filamentos do DNA. A descoberta da técnica vai permitir estudar detalhadamente o DNA e como ele interage com proteínas e o RNA.
Via io9

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Transplante de célula de focinho faz cão voltar a andar

Cirurgia recuperou os movimentos das patas
traseiras dos cães (Foto: BBC)

Técnica pode ajudar humanos a recuperar movimentos após lesão na medula. Cientistas da Universidade de Cambridge conseguiram reverter a paralisia em cachorros, após injetar células retiradas do focinho dos animais.
De acordo com os pesquisadores, as descobertas mostram, pela primeira vez, que transplantando este tipo de células em uma medula muito lesionada pode trazer melhoras significativas e abre novas possibilidades.
"Acreditamos que a técnica pode vir a ser usada para recuperar parte dos movimentos em pacientes humanos com lesões na medula vertebral, mas há um longo caminho a percorrer até podermos afirmar que eles serão capazes de recuperar todos os movimentos perdidos", diz o biólogo, Robin Franklin que participou da pesquisa.
O estudo foi financiado pelo Conselho Médico de Pesquisa (MRC, na sigla em inglês) da Grã-Bretanha e publicado no jornal científico "Brain".
A pesquisa é a primeira a testar transplantes em animais com lesões sofridas na vida real, ao invés de usar cobaias de laboratório.
Em uma parceria do Centro de Medicina Regenerativa do MRC e a Escola de Veterinária de Cambridge, os cientistas retiraram amostras de células olfativas do focinho dos cães e as cultivaram em laboratório durante várias semanas.
Os 34 cachorros que participaram da pesquisa haviam sofrido lesões na coluna que os impediam de usar as patas traseiras.
Em 23 dos cães, foram injetadas células olfativas na coluna; nos outros 11, o chamado grupo controle, foi usada uma solução aquosa neutra, sem nenhum efeito, para ser usado como termo de comparação.
Enquanto muitos dos cachorros que receberam o transplante de células apresentaram melhoras significativas e voltaram a andar, nenhum dos caninos do grupo de controle apresentou movimento nas patas traseiras.
Porque o nariz?
Após chegar a idade adulta, o nariz é a única parte do corpo em que terminações nervosas continuam a crescer.

As células foram retiradas da parte posterior da fossa nasal. São células especiais que rodeiam os neurônios receptores que nos permitem sentir cheiros e convergir estes sinais para o cérebro.
Os cientistas dizem que as células transplantadas regeneraram fibras na região lesionada da medula. Isto possibilitou que cachorros voltassem a usar as suas patas traseiras e coordenar o movimento com as patas da frente.
Em humanos, o procedimento poderia ser usado em combinação com outras drogas para promover a regeneração da fibra nervosa e substituir tecidos lesionados.
Geoffrey Raisman, o especialista em regeneração neurológica da University College London, descobriu em 1985 este tipo de célula olfativa, que foi usada na pesquisa de agora.
Ele avalia que este foi o maior avanço dos últimos anos na área, mas diz que não é a cura para lesões de medula. "O procedimento permitiu que um cachorro lesionado voltasse a usar suas pernas traseiras, mas as diversas outras funções perdidas em uma lesão de medula, como uso da mão, controle da bexiga e regulação de temperatura, por exemplo, são mais complicados e ainda estão muito distantes".
Na pesquisa, as novas conexões não ocorreram em longas distâncias, necessárias para conectar o cérebro a medula. Os pesquisadores do MRC disseram que em humanos isto seria vital para pacientes com lesões na medula, que perderam funções sexuais e o controle da bexiga e do intestino.
Entre os cães com história de sucesso, está Jasper, um bassê, de dez anos de idade. "Antes do tratamento, nós usávamos um carrinho de rodas porque as suas patas traseiras eram inúteis, mas agora ele corre pela casa e no jardim e acompanha os outros cachorro, é maravilhoso", comemorou sua dona, May Hay.
Fonte: G1

sábado, 10 de novembro de 2012

Teste de DNA pode dizer se a carne de vaca será gostosa

Fisicamente, a Mimosa e a Malhada podem até ser parecidas. Mas, depois do abate, a carne de uma pode se revelar dura e cheia de nervos, enquanto a outra está perfeita para o consumo. Por isso, pesquisadores criaram uma série de testes que analisa o DNA das vacas e pode prever se a carne delas será gostosa ou não.
Os pesquisadores do Instituto de Pesquisas Agronômicas em Theix, na França, analisaram cerca de 3 mil genes do DNA bovino para descobrir quais deles teriam impacto na maciez, sabor e suculência. Depois, tendo descoberto esses genes, eles criaram um teste que identifica a atividade desses genes em amostras de DNA e determinam a qualidade da carne.
Os bifes aprovados durante o estudo foram testados por um painel de especialistas e aprovados - aliás, entre as amostras boas e as ruins havia uma diferença de 40% no sabor.
Por enquanto, o teste foi feito apenas em certas raças de vaca - mais estudos devem ser feitos até o exame ser aprovado.
Via Gizmodo

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Cientistas de Cambridge revelam como nós esquecemos as memórias ruins


Experimento aponta que nosso cérebro conta com duas estratégias básicas para tentar apagar aquelas lembranças indesejadas. Você já leu aqui na GALILEU que cientistas descobriram uma droga que apaga as memórias indesejadas de nossa mente.  Agora, se você é uma pessoa saudável e séria, que não costuma recorrer às drogas para resolver seus conflitos mentais, saiba que também já pode usufruir das maravilhas de ser o próprio editor do seu cérebro. Basta um pouco de ginástica cerebral. 


São dois os caminhos principais. Na chamada supressão direta a ideia é inibir o processamento do hipocampo que acontece no córtex dorsolateral pré-frontal direito. Isso significa que a pessoa corta o mal pela raiz e para de pensar naquilo assim que a memória ruim surge – você desconecta a parte do cérebro responsável pela retenção das memórias episódicas. Em outras palavras, a pessoa força seu cérebro a interromper o processo de lembrar de uma coisa, de qualquer coisa. A outra maneira é a substituição de pensamento. Essa estratégia funciona de maneira oposta à supressão: você deve forçar seu cérebro a pensar em outra coisa, estimular a recuperação de lembranças de outros episódios, mais agradáveis, de preferência. 

Para realizar o experimento, os 36 voluntários deviam memorizar pares de palavras para, em seguida, tentar esquecê-los. Foi esse processo que os cientistas olharam bem de perto, através da ressonância magnética, para chegar às conclusões do estudo. O mais incrível é que esses dois métodos, apesar de contarem com mecanismos opostos, acontecem naturalmente dentro de nossos cérebros – cada pessoa leva mais jeito pra um tipo de esquecimento. 


Transgênicos: saiba onde eles estão e você nem imagina


Polêmicas sobre o uso da Técnica geram impasse entre especialistas. Implantar características novas ou melhorar as já existentes em determinado organismo são o principal objetivo dos transgênicos. Apesar das propagadas vantagens da aplicação da técnica, não são poucos os impasses científicos e até mesmo filosóficos que envolvem a prática.
Incertezas à parte, uma coisa é certa: os transgênicos já estão em sua mesa. Sabe-se que, em nível mundial, as principais culturas que possuem elementos transgênicos são o tomate, a soja, o algodão, o milho, a canola e a batata. Além desses, há outros produtos que também são alvo da técnica de transgenia e você talvez nem imagine: óleos, farinhas e grãos, molhos e condimentos, enlatados, sopas e pratos prontos, matinais e cereais, chocolates e balas, biscoitos e salgadinhos, pães e bolos, bebidas, laticínios e margarinas, massas, congelados e rações para animais.
No Brasil, para saber se um alimento possui ou não elementos transgênicos, basta ficar atento ao rótulo. De acordo com a regra definida pelo decreto 4.680/2003, qualquer embalagem de alimento que possua mais de 1% de origem transgênica deve conter um "T" de cor preta sobre um fundo amarelo, em formato de triângulo (semelhante a uma placa de trânsito).
"Tanto nos produtos embalados como nos vendidos a granel ou in natura, o rótulo da embalagem ou do recipiente em que estão contidos deverá constar, em destaque, no painel principal e em conjunto (…) uma das seguintes expressões, dependendo do caso: '(nome do produto) transgênico', 'contém (nome do ingrediente ou ingredientes) transgênico(s)' ou 'produto produzido a partir de (nome do produto) transgênico'", indica o decreto.
OGM e transgênicos
Há duas categorias quando o assunto é manipulação genética dos organismos. Os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) e os transgênicos. Todo transgênico é um OGM, mas nem todo OGM é um transgênico. Ficou confuso? Calma! O engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, que também é mestre em Economia Rural e doutor em Engenharia de Produção, explica a diferença.
"Por definição, uma planta ou animal transgênico é aquele que foi transformado pela agregação de genes provenientes de seres com os quais o organismo original não poderia se relacionar sexualmente. Logo, há transferência de um gene que é alheio à sua carga natural, ou seja, há uma anomalia sob a perspectiva da evolução natural. Já um OGM é aquele que sofreu modificação em sua carga genética natural. Essa modificação pode ser, por exemplo, uma mutação induzida em um ou alguns de seus genes", explica.
De acordo com o doutor em Fitopatologia, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e conselheiro do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Marcelo Gravina de Moraes, a Lei de biossegurança brasileira não faz distinção entre OGM e transgênicos. "As alterações feitas a partir dos genes da própria espécie geram um organismo chamado de cisgênico. Todavia, não existe nenhum caso de cisgênico em uso comercial. Na prática, a lei considera ambos o mesmo caso", esclarece.
Prós e contras
As propagadas vantagens da aplicação da técnica incluem o surgimento de plantas resistentes às pragas (insetos, fungos, vírus, bactérias e outros) e a diminuição no uso de herbicidas, pesticidas, inseticidas e outros agrotóxicos. A resistência a ataques de insetos e a infecções virais, a redução do custo de produção em virtude de menor exigência de agrotóxicos e a consequente maior rentabilidade ao agricultor são outros argumentos dos grupos favoráveis aos transgênicos.
Os principais questionamentos dizem respeito à polinização cruzada (entre transgênicos e culturas não modificadas), aos ainda não totalmente estudados possíveis impactos na saúde humana/animal e às possíveis reações alérgicas a esses alimentos. Há também fatores socioeconômicos (diferenças entre bases e culturas agropecuárias dos países) e indagações sobre a utilização de compostos químicos. A lista inclui ainda o risco de redução da biodiversidade, como consequência da maior agressividade das culturas transgênicas, abrangendo a eliminação de insetos e fungos, o que interferiria nas populações de insetos benéficos ou predadores e na comunidade de organismos do solo.
Polêmicas
Quando o assunto são os riscos que os transgênicos podem trazer, tanto para a saúde humana quanto para os ciclos de produção dos alimentos e para o ecossistema como um todo, os especialistas consultados pelo Yahoo! possuem opiniões contrárias.
Segundo Melgarejo, ainda não se sabe a dimensão completa dos problemas que podem ser causados pelos transgênicos. "Os estudos a que tive acesso são insuficientes para atestar a inexistência de riscos. Cada transgênico implica numa determinada carga de riscos - há as tecnologias HT, BT, ou mesmo os chamados transgênicos voltados ao enfrentamento de fatores abióticos (resistência a secas, inundações, etc.) ou ao enriquecimento dos padrões alimentares. É preciso avaliar o tema com base no caso a caso."
Já Gravina defende que os transgênicos são testados quanto a sua biossegurança alimentar e ambiental desde o início da pesquisa até antes de serem liberados comercialmente. "Em nenhum caso, até hoje, se verificou o caso de um transgênico oferecer mais risco que um organismo convencional para a alimentação ou para o meio ambiente. Essa afirmação tem por base um número muito grande de publicações científicas que formam um consenso sobre a biossegurança e também por meio da análise de agências regulatórias de diversos países e organizações internacionais, como a FAO e a OMS, por exemplo."
Há certo consenso na comunidade científica de que os efeitos em longo prazo, ainda desconhecidos, da introdução de alimentos transgênicos na cadeia alimentar, tanto no meio ambiente quanto na saúde pública, só serão conhecidos após os necessários tempos de utilização. Mas, será que vale a pena correr esse "risco"?
Doutor Gravina explica que o prazo de análise (longo prazo) a que os alimentos derivados de transgênicos são submetidos não é menor do que o de outras modificações usadas na produção de alimentos. "Ao contrário, as análises sobre os transgênicos são minuciosas e não são realizadas em nenhum outro caso. Por isso, se conhece muito mais sobre a composição, ausência de alergenicidade e de toxicidade de um alimento produzido com um transgênico do que um alimento convencional. Portanto, não há riscos desconhecidos, mas sim muito mais informação sobre transgênicos.
Assim, podemos considerar que, em muitos casos, o uso de transgênicos pode ser até mais seguro que alimentos convencionais. No caso ambiental, isso já é verificado através da redução do uso de agroquímicos, de água e de combustível em lavouras transgênicas em comparação às tradicionais."
A doutora em Ciências Sociais e conselheira da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), Marijane Vieira Lisboa, alerta que a experiência com novas tecnologias aponta que, ao mesmo tempo em que elas resolvem problemas humanos e melhoram a qualidade de vida, também revelam - em geral, bem posteriormente - aspectos negativos impensados. Alguns exemplos são a relação entre mudanças climáticas e uso de combustíveis fósseis, a depredação da camada de ozônio e o uso de aerossóis, os agrotóxicos e as diversas doenças ocasionadas nos homens, entre outros.
"Por isso há a necessidade de uma cuidadosa avaliação sobre as vantagens oferecidas por uma tecnologia nova frente aos riscos potenciais. Uma rigorosa avaliação desses riscos, por sua vez, é praticamente impossível no caso de tecnologias tão novas quanto os transgênicos, pois seria necessário poder saber antecipadamente todos os possíveis efeitos colaterais que poderiam surgir para que se pudesse medir os seus riscos", ressalta.
Marijane alerta que, no caso dos transgênicos, não se tem adotado o mínimo de precaução. Os estudos feitos pelas empresas para avaliar a segurança dos produtos para a alimentação humana e animal são de curto prazo, com poucos animais e visando verificar algumas poucas alterações, segundo ela. "Por trás dos transgênicos existem cientistas cujas carreiras, laboratórios e instituições de pesquisas dependem do desenvolvimento de transgênicos.
As empresas de biotecnologia atuantes investem bilhões de dólares nessa pesquisa e desenvolvimento, não estando dispostas a perdê-los para aqueles poucos cientistas que investigam efeitos colaterais indesejados. Ou seja, não existe uma verdadeira controvérsia científica em torno dos transgênicos, pois os seus defensores se recusam a discutir seriamente os seus prováveis impactos e desqualificam sistematicamente os cientistas críticos. Basta consultar as atas da CTNBio para constatar como não há tal debate científico, em que pese os protestos de um pequeno número de cientistas e representantes de movimentos sociais que adotam uma atitude de precaução", assevera.
Relação de alimentos com OGM
De acordo com a doutora em Alimentos e Nutrição e membro da CTNBio, Suzi Barletto Cavalli, ainda não há pesquisa científica na nutrição que traga informações detalhadas, como a descrição de quais são os elementos transgênicos que certo alimento possui, porque possui e quais são as alterações provocadas, além dos benefícios e malefícios dessas alterações, tanto no que diz respeito ao mundo dos produtores de alimento quanto dos consumidores.
As alterações mais comuns dizem respeito à implantação de fragmentos DNA de bactérias, vírus ou fungos no DNA da planta, codificando a produção de herbicidas. Assim, as plantas que receberam esses genes produzem toxinas contra as pragas da lavoura, não necessitando de certos agrotóxicos.
Há também produtos que são modificados para se obter maior valor nutricional, como o arroz dourado da Suíça, muito rico em betacaroteno, substância precursora da vitamina A.
Alguns vegetais são modificados para resistirem ao ataque de vírus e fungos, como a batata, o mamão, o feijão e banana. Outros são modificados para que a produção seja aumentada e os vegetais sejam de maior tamanho. E existem também alimentos que têm o seu amadurecimento prolongado, resistindo por muito mais tempo após a colheita.