Mostrando postagens com marcador Átomos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Átomos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de julho de 2013

Cientistas capturam imagem de reação química pela primeira vez

Com equipamentos poderosos e um pouco de sorte, os cientistas conseguiram captar moléculas sendo quebradas e reconstruídas.
Em toda a história da ciência, nenhum laboratório havia conseguido capturar imagens de reações químicas em alta resolução. Pelo menos não até agora, pois um grupo de cientistas da Universidade da Califórnia (Berkeley) conseguiu realizar o que todos tentavam há décadas. E o mais curioso é que isso aconteceu de uma maneira quase acidental.
Utilizando um microscópio de alta potência, eles estavam tentando realizar uma série de reações com grafeno. Com muita sorte, conseguiram chegar às imagens que você pode ver nesta notícia. Para o site Mashable, um dos cientistas afirma: “Nós não estamos pensando em fazer imagens bonitas, as reações eram o grande objetivo!”. Essa é a primeira vez na história que um grupo de cientistas conseguiu capturar imagens em alta resolução de uma molécula sendo quebrada e depois tendo seus átomos realocados em outra liga. Para a sorte de todos, o processo ocorreu exatamente como todos imaginavam — em caso contrário, boa parte do que sabemos sobre ciência seria jogado no lixo.

Agora, os responsáveis pelo projeto estão confiantes em um futuro interessante para a ciência. Segundo eles, apesar de o ocorrido parecer muito simples, há grandes descobertas envolvidas no processo. Essas novas imagens podem, inclusive, colaborar nas pesquisas de nanoestruturas e até mesmo contribuir para novos métodos de arquitetura eletrônica em nanoescalas.
Fonte: MegaCurioso

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Células-tronco podem ser extraídas do sangue

Unidades que reparam vasos danificados foram convertidos em células-tronco
Método britânico é mais seguro e eficiente que sistema conhecidos até agora, segundo estudo.    

Cientistas da Universidade de Cambridge desenvolveram uma técnica de produção de células-tronco a partir do sangue dos próprios pacientes, o que pode abrir caminho para novos tratamentos de uma série de doenças, segundo o estudo publicado no jornal especializado Translational Medicine.

As células foram usadas para a produção de vasos sanguíneos. Segundo o estudo, os pesquisadores acreditam que o método possa se tornar um dos mais seguros e rápidos para a extração de células-tronco, mas alertaram que ainda não têm certeza se o procedimento é totalmente viável.

Embora seu uso seja motivo de polêmica, as células-troncos são uma das maiores esperanças da medicina científica. Elas podem se transformar em qualquer outra célula ou tecido do corpo, podendo, portanto, restaurar partes danificadas do coração, do cérebro e até dos olhos e dos ossos.

Uma das fontes das células-troncos são os embriões, mas esse método de extração é bastante controverso. Além disso, tais células podem ser rejeitadas pelo corpo receptor assim como ocorre com os transplantes de órgãos. Há pesquisas que mostram que células da pele retiradas de adultos podem ser convertidas em células-tronco e que não há riscos de rejeição.

A equipe de Cambridge procurou nas amostras sanguíneas células reparadoras capazes de restaurar os vasos danificados. Essas unidades, posteriormente, foram convertidas em células-tronco.

Amer Rana, uma das pesquisadoras envolvidas, afirmou que o método é melhor que aquele que extrai as células da pele. "Estamos empolgados por termos desenvolvido um método prático e eficiente para criar células-tronco a partir de uma unidade sanguínea. A biópsia de tecidos não é desejável para crianças e idosos, mas ter amostras de sangue coletadas é comum para todos os pacientes", disse.

Ainda segundo a pesquisadora, as células coletadas pareciam mais seguras para uso que as provenientes da pele. "O fato de essas estruturas serem estáveis é promissor. O próximo estágio obviamente é dizer 'se podemos fazer isso, vamos produzir células para tratamentos clínicos'. Poderemos então usar essa tecnologia nas clínicas pela primeira vez", concluiu.

Chris Mason, especialista em medicina regenerativa na Universidade de Londres, disse que o trabalho de Cambridge é "maravilhoso". "É muito mais fácil pegar células-tronco de amostras sanguíneas que de amostras de pele. É um grande avanço. Mas as células-tronco pluripotentes (aquelas convertidas a partir de células adultas) ainda são novas, precisamos de mais experiência para reprogramar as células de uma maneira totalmente segura', completou.

Fonte: Estadão

sábado, 1 de dezembro de 2012

Pesquisadores fotografam dupla hélice do DNA pela primeira vez


Você aprendeu lá nas aulas de biologia: o DNA, que armazena todas as informações biológicas do organismo, tem o formato de dupla hélice. Esse modelo foi proposto por James Watson e H.C. Crick em 1953 e tinha sido comprovado por técnicas antigas, que conseguiam converter padrões de pontos em imagens através de cálculos matemáticos.
Mas, ver mesmo a dupla hélice, ninguém tinha visto. Até  agora. Pela primeira vez, cientistas conseguiram capturar uma imagem real do DNA usando um microscópio eletrônico. A imagem foi feita por meio de um processo complexo pelo cientista Enzo di Fabrizio na Universidade de Gênova, na Itália. Os detalhes da técnica usada estão no artigo “Imagem Direta de Fibras de DNA: A Fisionomia da Dupla Hélice”, em tradução livre, publicado no site Nano Letters.
Além de confirmar o modelo da dupla hélice, a imagem também permite ver o tamanho do espaçamento entre os filamentos do DNA. A descoberta da técnica vai permitir estudar detalhadamente o DNA e como ele interage com proteínas e o RNA.
Via io9

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Reserva de petróleo é encontrada no espaço


A 1.400 anos-luz da Terra, a Nebulosa Cabeça de Cavalo é uma grande reserva de "petróleo espacial". Uma reserva de petróleo foi detectada por astrônomos do Instituto Max Planck, da Alemanha. O grupo de cientistas identificou, pela primeira vez, moléculas interestelares de C3H+ no centro da nebulosa Cabeça de Cavalo. O C3H+ integra a família dos hidrocarbonetos - partículas fundamentais na composição do petróleo e do gás natural. 

De acordo com o estudo, publicado na revista Astronomy & Astrophysics, a nebulosa contém 200 vezes mais hidrocarbonetos do que a quantidade total de água na Terra. A reserva fica na constelação de Órion e está a cerca de 1.400 anos-luz de distância da Terra. Uma das explicações para os níveis “inesperadamente elevados” de hidrocarbonetos na nebulosa é a proximidade a uma estrela maciça, que brilha intensamente na região. 

De acordo com a pesquisa, o “petróleo espacial” surge da fragmentação de moléculas gigantes, os chamados PAHs (hidrocarbonos policíclicos aromáticos). Essas grandes partículas sofrem erosão com a radiação ultravioleta e se desintegram, criando uma grande quantidade de pequenos hidrocarbonetos.

Por ser visível nos céus noturnos, a nebulosa é um dos objetos mais fotografados do Cosmos. A equipe fez um estudo químico completo da Nebulosa Cabeça do Cavalo, usando um radiotelescópio de 30 metros do Instituto de Radioastronomia Milimétrica, na Espanha.

A descoberta confirma que a região é uma espécie de refinaria cósmica e pode ajudar a entender se esse tipo de óleo é realmente um composto fóssil ou tem origem mineral. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A 28 dias do "fim do mundo": saiba quando a vida quase acabou

Do ponto de vista científico, o apocalipse ainda vai demorar
Foto: AFP

Profecias que previam o fim do mundo não são novidade. Se dependesse dos falsários, a vida no planeta já teria acabado há muito tempo. Mas, e no passado, já estivemos perto de um "apocalipse" para os seres vivos?
Segundo estudos, cerca de 99% das espécies que habitaram o planeta desapareceram da Terra. Em alguns momentos, a extinção foi generalizada, atingindo a maior parte dos seres viso - são as extinções em massa, quando a vida foi ameaçada na terceira rocha do Sistema Solar.
Conheça a seguir cinco momentos em que a vida quase acabou no planeta.
Fonte: Terra

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Mecanismos pelos quais o cérebro percebe a passagem do tempo evocam princípios da física


Ao longo da história, questões acerca da origem e do significado da vida, da criação do Universo e livre-arbítrio têm roubado o sono de filósofos e cientistas. A indagação sobre a natureza do tempo, entretanto, parece ser o questionamento mais cotidiano e familiar. 

Considerado em suas diferentes acepções, o tempo está em toda parte: no calendário da parede, nos diversos relógios que pautam nossa vida, no nascer e no pôr-do-sol, nas fases da lua, nas estações do ano, bem como em nós mesmos - quando sentimos fome ou sono durante o dia ou testemunhamos no espelho as marcas da passagem dos anos. 

Antiga preocupação filosófica, mais recentemente o tempo passou a ocupar também a mente dos cientistas, interessados em medi-lo e compreendê-lo. Para enxergarmos com clareza suas múltiplas faces, é necessário encarar o tempo igualmente sob múltiplos ângulos. O desafio depende de um esforço conjunto do qual devem participar filósofos, físicos e neurocientistas.

Segundo resultados teóricos e experimentais da física moderna, a velocidade da luz (e de qualquer onda eletromagnética) no vácuo é uma constante, sendo também a velocidade limite que não pode ser superada pela propagação de qualquer outro sinal. 

Quando admiramos o céu em noite estrelada, vemos algo que jamais existiu exatamente daquela forma, porque cada estrela encontra-se mais perto ou mais longe da Terra, portanto a luz de cada uma delas percorre uma determinada distância em um tempo distinto. A luz das mais próximas viaja alguns poucos anos, enquanto a das mais distantes leva bilhões de anos para atingir nossas retinas. Muitas estrelas que vemos hoje já não existem - explodiram e desapareceram há milhares ou milhões de anos. 

Fábrica de Ilusões

Em uma escala de tempo muito menor, impulsos nervosos produzidos pelos estímulos que nos rodeiam - e que vão se transformar em sons, imagens, cheiros - também apresentam velocidade finita de propagação, bem como diferentes tempos de processamento neural. Olhar, ouvir, cheirar e sentir o mundo a nossa volta assemelha-se, portanto, a olhar um céu estrelado: as sensações chegam ao cérebro em momentos distintos, mesmo que tenham partido de um mesmo objeto no mesmo instante. Com alguma prática, o cérebro torna-se hábil em juntar estímulos assíncronos para fazê-los parecer simultâneos. Assim percebemos - ilusoriamente - como síncronos a imagem de lábios que se movem e o som da voz de quem fala. 

A ilusão de uma consciência instantânea e simultânea aos estímulos sensoriais que a evocam foi denominada "presente especioso" pelo psicólogo e filósofo americano William James (1842-1910). James considerava o presente ilusório não apenas pelo conteúdo temporal da consciência surgir com atraso em relação ao mundo, ou por dar coerência temporal a uma atividade neural inevitavelmente assíncrona. Ele percebia o presente como uma sensação estendida no tempo, possivelmente exigindo, de um lado, a reevocação de um passado recente guardado na memória de curtíssimo prazo e, de outro, a expectativa de um futuro iminente.

A finitude, tanto da velocidade da luz quanto da propagação da informação no sistema nervoso, conduz a um segundo paralelo entre a física e a neurociência do tempo: a relatividade da simultaneidade.

Segundo a teoria da relatividade proposta por Albert Einstein, se dois eventos A e B (por exemplo, o piscar de duas lâmpadas) são vistos por alguém como simultâneos, um segundo observador, em movimento retilíneo uniforme em relação ao primeiro, poderá vê-los como não simultâneos: a lâmpada A piscando antes da B se o observador estiver se deslocando em um sentido, ou o contrário quando ele se mover na direção oposta. Como ambos os observadores são totalmente equivalentes, já que não existe um "éter" preenchendo o espaço ou algo especial que torne absoluto algum local dele, as duas observações, embora contraditórias, são legítimas e também equivalentes.

Da mesma forma, resultados obtidos em nosso laboratório na Universidade de São Paulo (USP) e por outros pesquisadores demonstram consistentemente que dois estímulos simultâneos - visuais, auditivos ou tácteis - poderão ser ou não percebidos simultaneamente dependendo de vários fatores psicofísicos, entre eles o foco de atenção. Em um típico experimento de julgamento de ordem temporal (JOT), um voluntário senta-se à frente do monitor do computador e fixa o olhar em um ponto demarcado da tela, onde será apresentada uma rápida sucessão entre dois estímulos visuais separados por certa distância. Sua tarefa é relatar qual estímulo foi percebido primeiro. Se prestar atenção ao local onde um dos estímulos será apresentado (mesmo que não dirija o olhar àquele local), as chances de que ele o perceba antes do outro estímulo são muito maiores, mesmo que ambos sejam simultâneos. Nesse caso, a alocação da atenção a um ou outro estímulo teria papel equivalente à mudança do referencial inercial do qual se faz a observação da ordem dos eventos - tal como enunciado pela teoria da relatividade.

Não apenas a ordem e a simultaneidade de dois eventos podem ser relativas para a física e as neurociências, distâncias espaciais e intervalos temporais também são. Segundo a teoria da relatividade, o comprimento de um objeto ou a duração de um evento serão relativos ao referencial inercial em que se encontra o observador. Se ele estiver em movimento em relação ao objeto, seu comprimento será menor se comparado ao mesmo objeto medido por um observador estacionário. O fator de contração é dado pelas equações de transformação de Lorentz . Contração semelhante ocorre quando um observador, cujo referencial inercial está em movimento em relação a um evento, mede a duração deste e compara o resultado com o do observador estacionário.

Experimentos psicofísicos semelhantes ao JOT mostram que a percepção de duração é relativa também ao estado do observador. Fisiologicamente, a incerteza de um julgamento temporal aumenta com a duração do intervalo julgado. Esse resultado, denominado propriedade escalar da percepção de tempo, parece decorrer de um fenômeno psicofísico mais geral, conhecido como lei de Weber (proposto por Ernst Weber, em 1831), segundo o qual para percebermos que um dado estímulo sensorial sofreu variação, o acréscimo (ou decréscimo) mínimo necessário deve ser proporcional à magnitude inicial do estímulo original. Isso talvez ajude a entender por que o tempo parece passar cada vez mais depressa à medida que envelhecemos.

Todos nós também já experimentamos a sensação de o tempo "voar", quando estamos em lugares ou situações agradáveis, ou de se "arrastar", nos momentos em que esperamos com ansiedade algo acontecer. Novamente, parece ser a atenção que prestamos à sucessão de eventos em curso o fator determinante de nossa experiência temporal. Vários estudos demonstram que a duração de um estímulo sensorial, tal como percebida por um observador, é fortemente influenciada pela atenção que ele dispensa ao estímulo. 

A percepção temporal pode ser alterada também pela ação de drogas ou doenças que provavelmente modificam circuitos neurais cuja atividade determina nossa capacidade de julgar a duração de um intervalo temporal ou a ordem de dois eventos. A doença de Parkinson, por exemplo, caracteriza-se pela disfunção em certas via neurais que utilizam dopamina como neurotransmissor. Os pacientes manifestam comprometimento da organização temporal de ações motoras e nítido prejuízo no desempenho de tarefas que requerem exclusivamente a percepção de intervalos de tempo. Resultados de nosso laboratório mostram que pacientes com Parkinson exibem significativa redução da precisão no julgamento da ordem temporal de dois eventos visuais, quando comparados a voluntários saudáveis da mesma idade. 

Podemos novamente estabelecer um paralelo entre a mudança de referencial em que medidas de intervalos temporais são realizadas e a modificação na atividade de circuitos neurais responsáveis pela codificação do tempo, seja pela modulação fisiológica exercida pela atenção, seja pela interferência de fármacos ou por doenças. Em ambos os casos, o intervalo temporal medido fisicamente ou percebido fisiologicamente é relativo ao referencial em que se situa o observador. 

Setas do Tempo

Podemos dizer que, em essência, somos as nossas memórias. Aquilo que declaramos e contamos compõe a chamada memória declarativa, da qual fazem parte fatos sobre o mundo e sobre nossas próprias experiências.

Estima-se que mais da metade das conversações adultas se refiram a eventos passados ou futuros, e essa habilidade de "viajar no tempo", acreditam muitos neurocientistas, é exclusiva do ser humano. É possível que seu aparecimento tenha sido um passo decisivo no processo evolutivo da espécie. Viajando no tempo, entre memórias e projetos, podemos reavaliar experiências passadas, com suas possíveis causas, e ponderar cenários futuros, com suas eventuais conseqüências, o que aumenta a probabilidade de optarmos por decisões e ações mais adaptativas. 

Entretanto, existe nítida assimetria entre a memória de um evento passado, cristalizado e único em sua realidade, e a expectativa de um evento futuro, aberto e múltiplo em suas potencialidades.

Em meados do século XX, o matemático austríaco Kurt Gödel obteve uma solução para as equações do campo gravitacional propostas por Einstein na teoria da relatividade geral. Segundo ele, seria possível, sob certas condições, a existência de órbitas fechadas ao longo do espaço-tempo quadridimensional, o que significa que um objeto, em uma viagem ao longo dessa trajetória, voltaria no tempo. Tais resultados trazem à tona o relevante papel desempenhado pelo conceito de causalidade na ciência.

Esse aspecto se torna mais claro com o exemplo do astronauta que, viajando ao longo de uma alça fechada do espaço-tempo, retorna ao passado e, por descuido, provoca um acidente que mata a própria mãe, ainda jovem, antes mesmo de ter sido gerado por ela. Embora muito próximos da ficção científica, tais argumentos baseiam-se em resultados físicos rigorosamente formulados.

Para David Hume, filósofo escocês do século XVIII, a crença na relação causal entre dois eventos decorre apenas do fato de nos habituarmos a vê-los numa dada ordem temporal. Daí viria a sólida, porém ilusória, idéia de que toda conseqüência é precedida de uma causa. No século XX, Hans Reichenbach teceu o conceito de "cadeias causais" para ordenar eventos no tempo. Seguidos em determinado sentido, os eventos ordenam-se de acordo com um princípio de "causalidade"; no sentido oposto, ordenam-se segundo uma "finalidade". A definição de um sentido do tempo (a chamada seta do tempo) ou a escolha da causalidade em detrimento da finalidade é, na visão do filósofo da ciência alemão, uma conseqüência da segunda lei da termodinâmica, segundo a qual a entropia (ou, intuitivamente, o grau de desordem) de um sistema isolado tende a aumentar. O aumento da entropia definiria, portanto, o sentido da seta do tempo. 

Quando assistimos a um filme em que cacos de vidro espalhados no chão se aproximam uns dos outros e finalmente se juntam, sabemos imediatamente que ele está sendo projetado de trás para frente. Do ponto de vista termodinâmico, a desordem (entropia) do copo aumenta quando ele se quebra, espalhando cacos pelo chão. O aumento da entropia seria uma indicação segura da direção do tempo, que jamais retrocederia pelas mesmas razões pelas quais a entropia não poderia diminuir. Há, no entanto, problemas sutis nesse raciocínio, detectados pela primeira vez no final do século XIX pelo físico austríaco Ludwig Boltzmann. 

Em minuciosa análise termodinâmica, Boltzmann notou que, partindo de um instante no tempo, a entropia de um sistema deve aumentar tanto em direção ao futuro quanto em direção ao passado. Ou seja, a seta do tempo teria duas pontas. Para observarmos hoje o aumento da entropia, como prescrito pela segunda lei da termodinâmica, ela precisaria necessariamente ser menor no passado remoto. Logo, o problema da seta do tempo, na física, parece implicar considerações cosmológicas, remontando a condições termodinâmicas que caracterizaram a origem do Universo. Sob o prisma das neurociências, a assimetria entre eventos já registrados e aqueles ainda por serem gravados em nossa memória parece oferecer, ainda que sem rigor matemático, uma distinção satisfatória entre passado e futuro (e qual deles deve acontecer primeiro).

O ato de observar e medir um evento passou a fazer parte da física com o advento da mecânica quântica, segundo a qual observador e observado acoplam-se, indissociavelmente, na mensuração de um dado estado físico (descrito por uma função de onda). Muitos filósofos e físicos acreditam que o tempo perceptivo registrado por um observador possa, portanto, ter papel relevante na determinação da seta do tempo. 

O físico britânico Paul Davies acredita que o fluxo do tempo é resultado de um processo subjetivo, a ser explicado pelas neurociências e não pela física. Pelo menos duas interessantes conexões existem entre os objetos de estudo das duas disciplinas. A primeira é aquela, já mencionada, que vincula um observador consciente ao fenômeno por ele observado. É o ato da observação que transforma as probabilidades descritas pela função de onda em um valor ou estado físico definido e único. Nas palavras de John Wheeler, importante físico americano do século XX: "nenhum fenômeno elementar é um fenômeno até que ele seja um fenômeno observado ou registrado." A segunda conexão entre física e neurociências é a semelhança matemática e conceitual existente entre a definição de entropia, proposta por Boltzmann, e a definição de informação, que o matemático americano Claude Shannon apresentou em meados do século XX. A entropia seria uma medida de nossa ignorância sobre um sistema, sendo a aquisição de informação sobre ele o equivalente a uma redução de sua entropia (negentropia). O atrativo dessa analogia é que, enquanto entropia é um clássico ingrediente de formulações termodinâmicas, informação é a matéria prima, por excelência, da atividade neural. 

Percepção do Tempo

Pouco depois do surgimento da teoria da relatividade, o professor de matemática de Einstein, Hermann Minkowski, propôs uma formalização em que tempo e espaço passam a fazer parte de uma única estrutura geométrica. Formada pela fusão de três dimensões espaciais e uma temporal, essa estrutura é conhecida desde então como espaço-tempo quadridimensional. Embora mantenha suas peculiaridades, espaço e tempo devem, de acordo com a relatividade, ser considerados em conjunto, oferecendo um arcabouço único para a descrição dos eventos físicos.

Nossas percepções de espaço e tempo também não existem de forma independente, e tarefas perceptivas que exigem julgamento espaço-temporal possuem longa história nas neurociências. Em 1796, o astrônomo real do observatório de Greenwich, Reino Unido, despediu seu assistente em razão das constantes discrepâncias, da ordem de vários décimos de segundo, na observação do trânsito estelar. As observações exigiam o julgamento, em relação a um ponto de referência no observatório, da localização de uma estrela em um exato instante de tempo marcado pelo tique-taque audível de um relógio. A precisão dessas observações era crítica para as medidas astronômicas, o que levou o problema para os laboratórios sob a forma de procedimentos que ficaram conhecidos como experimentos de complicação, idealizados pelo pai da psicologia fisiológica, Wilhelm Wundt. Tais experimentos implicavam a comparação simultânea de estímulos em movimento contínuo e estímulos de apresentação súbita.

Reportar a localização de um dado objeto em movimento no exato instante em que um outro evento ocorre é, genuinamente, uma tarefa espaço-temporal. Não só um julgamento espacial deve ser realizado simultaneamente a um julgamento temporal, as percepções de espaço e tempo podem - e talvez devam - compartilhar circuitos neurais que são superpostos quanto a esse processamento.

Mais recentemente, o interesse em experimentos de complicação foi reavivado pela descoberta de uma ilusão visual simples, porém ainda muito controversa: o efeito flash-lag. Um objeto em movimento é percebido como se estivesse à frente de sua real posição no instante em que um evento, que ocorre subitamente, é utilizado como referencial no tempo. 

Muito se tem debatido sobre as origens neurofisiológicas desse fenômeno, mas um aspecto que demonstramos com alguma segurança é sua modulação por fatores atencionais: a magnitude do efeito flash-lag aumenta ou diminui à medida que prestamos menos ou mais atenção aos estímulos em questão (o que pode parcialmente explicar a tendência dos árbitros auxiliares, em partidas de futebol, de indicar impedimentos inexistentes). A modulação atencional de uma ilusão que implica a percepção de tempo e espaço sugere, mais uma vez, que a atenção entra em cena como uma espécie de "mudança de referencial", no qual eventos espaço-temporais tomam parte. 

Uma das razões pelas quais as percepções de tempo e espaço talvez se fundem em uma mesma estrutura espaço-temporal é que a determinação subjetiva de tempo possa depender mais de "como" é representada pelo sistema nervoso, e menos de "quando". Steven Hillyard, da Universidade da Califórnia, mostrou recentemente que a modulação atencional da percepção de ordem temporal, produzida por dois estímulos sonoros, era codificada por variações nas amplitudes de potenciais elétricos observados nos respectivos circuitos neurais envolvidos, e não por suas latências ou qualquer outra variável temporal. Portanto, espaço e tempo não são traduzidos necessária e respectivamente por códigos espaciais e temporais, mas ambos poderiam ser representados pelo sistema nervoso como códigos neurais que nada têm a ver diretamente com as características espaciais e temporais daquilo que representam. Esses mecanismos sugerem um análogo neural, ainda que metafórico, ao espaço-tempo físico.

Blocos de Tempo

Heráclito de Éfeso, que viveu na Grécia entre os séculos VI e V a.C., via o Universo como um processo contínuo de mudança: "todas as coisas estão em perpétuo estado de fluxo". Um de seus mais famosos aforismos diz que "no mesmo rio entramos e não entramos, somos e não somos". Ou seja, não podemos nos banhar duas vezes no mesmo rio, pois na segunda vez as águas do rio - em perpétuo fluxo - já não serão as mesmas, assim como nós mesmos já teremos mudado.
No entanto, o escrutínio filosófico e as formalizações físicas não conseguem determinar a existência de um fluxo temporal único, contínuo e objetivo. Não há resposta para certas perguntas, por exemplo, "qual a velocidade do tempo?" (exceto, talvez, para uma personagem do escritor português José Saramago, que afirma que o tempo passa a uma velocidade de 60 minutos por hora). Esse incômodo beco sem saída tem levado à concepção do tempo como um bloco. O espaço-tempo de Minkowski conteria toda a eternidade: passado, presente e futuro mapeados nesse bloco único. Embora a sensação de um "agora" desempenhe papel central em nossa vida, a intuição é subvertida por concepções relativísticas, segundo as quais todos os instantes desse "tempo blocado" são igualmente reais. O fluir do tempo, do passado ao futuro, passando pelo "agora" que nitidamente sentimos, surgiria em nosso cérebro como o resultado de fazermos, ativa e conscientemente, uma observação desse bloco espaço-temporal. Essa observação então corresponderia, para cada observador, a uma fatia do bloco, que contém a cota de espaço que chamamos "aqui" e o instante de tempo que chamamos "agora". 

Essa visão física se aproxima da concebida por Platão no século IV a.C. Em um de seus famosos diálogos, Timeu, o tempo seria uma "imagem móvel da eternidade". Já a concepção neurocientífica nos leva ao pensamento de Santo Agostinho, que viveu oito séculos mais tarde, para quem passado e futuro não existem. Quando olhamos para o passado, ele já se foi: é uma memória. Quando procuramos o futuro, ele ainda não chegou: é uma expectativa. Portanto, somente o presente existe, conclui o filósofo. O tempo seria uma criação da mente humana - quando medimos uma extensão temporal, estamos na verdade medindo memórias do passado e expectativas do futuro. Santo Agostinho é o primeiro pensador ocidental a destacar claramente o caráter subjetivo do tempo.

É possível que as múltiplas faces do tempo tenham individualidade própria. E que os múltiplos "tempos" tenham, portanto, de ser tratados de forma particularizada ou independente, pelo respectivo nível descritivo que o aborda. Seria preciso considerar por exemplo as diferentes naturezas da "fibra" do tempo, com a qual seriam tecidos, em diferentes planos, os múltiplos e distintos tempos físico, biológico, neural e social. Enquanto isso, continuaremos a enfrentar o desafio de compreender como o tempo flui através da mente, já que, fora dela, o rio de Heráclito existe, mas está congelado


Tempo nas neurociências
O surgimento de mecanismos neurais que processam o tempo foi essencial para nossa evolução. O controle neural do tempo é crucial para atividades cuja escala varia entre milésimos de segundo a décadas. São elas: regulação de funções vegetativas e de comportamentos que oscilam periodicamente (ritmos biológicos); funções motoras nas quais a seqüência e coordenação de movimentos exigem grande precisão temporal, da ordem de milissegundos; percepção de sucessão, ordem, intervalos e durações temporais, que se estendem de frações de segundo às memórias que construímos ao longo da vida.

Em seres humanos e outros animais, o processamento neural do tempo tem sido abordado por meio de técnicas como ensaios comportamentais, análises moleculares, métodos eletrofisiológicos, farmacológicos, clínicos e de neuroimagem. Os resultados mais recentes indicam que diferentes módulos neurais participam dos diversos tipos de processamento temporal, dependendo da escala de tempo e da natureza da tarefa. 

Ritmos circadianos, por exemplo, operam em períodos de 24 horas, determinando comportamentos tais como o ciclo vigília-sono e a alimentação. Seu controle depende de circuitos neurais localizados no núcleo supraquiasmático do hipotálamo, que oscilam sob a influência de ritmos externos, como o ciclo claro-escuro produzido pela rotação diária da Terra. Ritmos biológicos, produzidos endogenamente por osciladores neurais, são extremamente úteis no ajuste homeostático e na sincronização de comportamentos aos ritmos exógenos gerados pela natureza periódica de rotação e translação do planeta.

Estudos recentes mostram a existência de dois outros sistemas neurais, relativamente independentes, do processamento temporal. O primeiro é um sistema automático do qual participa o cerebelo, opera na escala de milissegundos e se relaciona à marcação temporal de eventos discretos (descontínuos). O segundo sistema relaciona-se a eventos contínuos, é controlado por mecanismos cognitivos e atencionais e envolve os núcleos da base e várias áreas corticais no processamento de eventos temporais cuja escala de tempo iguala ou supera um segundo. Observações clínicas sugerem que lesões cerebelares comprometem aspectos temporais determinantes da transição de estados motores, enquanto lesões dos núcleos da base comprometeriam, temporalmente, a transição de estados atencionais. Esses núcleos subcorticais parecem estar envolvidos, junto com circuitos dos córtices pré-frontal e parietal posterior, na representação cognitiva de números, seqüências e magnitudes. Dessa forma, áreas neurais comuns participariam de tarefas cuja essência são contagem e o ordenamento, seja temporal, seja numérico. Um possível papel dos núcleos da base seria o de monitorar a atividade que circula entre eles, o tálamo e o córtex cerebral, agindo como detectores de coincidência que controlam o fluxo de informação.


O Tempo na Física
Um dos pilares da física moderna é a obra monumental de Isaac Newton (1642-1727). Em um mesmo modelo teórico, Newton concebeu um sistema mecânico que unificou a física dos corpos em movimento - de maçãs caindo de árvores a órbitas de luas e planetas. A metafísica de Newton adotava a visão de tempo e espaço absolutos. Em relação ao espaço, ele defendia uma forma de "substantivalismo", de um espaço como "substância" - visão oposta ao "relacionismo" adotado por Leibniz, seu contemporâneo. Newton percebeu que, em relação ao espaço absoluto, um movimento uniforme, com velocidade constante, exigiria o fluir de um tempo absoluto. Como afirmou em sua obra Principia mathematica, "O tempo absoluto, verdadeiro e matemático, por si mesmo, e por sua própria natureza, flui uniformemente sem relação com nenhuma coisa externa. [...] Todos os movimentos podem ser acelerados ou retardados, mas o fluxo do tempo absoluto não é sujeito a nenhuma mudança". 

Assim, um único "agora" preencheria todo o espaço, desde o local em que você, leitor, se encontra lendo essas páginas, até uma estrela distante, na borda da galáxia ou nos confins do Universo. Embora tenha despertado o questionamento crítico de alguns físicos e filósofos, essa cosmovisão persistiu por mais de 200 anos, e ainda hoje se encontra entranhada nas concepções de muitos de nós. Em meados do século XIX, James Clerk Maxwell colocou, ao lado da mecânica de Newton, uma síntese do eletromagnetismo igualmente unificadora, que expressava, por meio de quatro elegantes equações, todo um conjunto de resultados empíricos relativos a fenômenos elétricos e magnéticos. Com base nas equações de Maxwell, e em experimentos muito precisos realizados no final do século XIX, mostrou-se que a velocidade de uma onda eletromagnética (e, portanto, da luz) no vácuo, era a mesma em qualquer direção: pouco mais de 1 bilhão de km/h. Os resultados conduziram a uma inconveniente contradição entre essas duas teorias físicas - as mais bem-sucedidas até então. 

O início do século XX foi marcado por abalos que dilaceraram os alicerces da física clássica. Personagem principal desse fecundo capítulo da história da ciência, Albert Einstein (1879-1955) protagonizou a demolição da física newtoniana. Com suas teorias da relatividade (a especial, de 1905, e a geral, de 1916), propôs um modelo de Universo no qual espaço e tempo não são independentes nem absolutos, mas se fundem em um único espaço-tempo quadridimensional, em que uma onda eletromagnética propaga-se com velocidade constante em relação a qualquer referencial inercial em que seja medida. Como conseqüência da constância da velocidade da luz, conceitos temporais como simultaneidade e duração ou espaciais, como distância e comprimento, tornam-se relativos a um dado referencial inercial. Com as teorias de Einstein, a unidade e a coerência da física foram preservadas e, de quebra, uma visão radicalmente nova do universo tomou o lugar das concepções usuais de espaço e tempo.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

LHC promove as primeiras colisões de partículas "de laboratório" da história


Cientistas anunciaram ter conseguido nesta terça-feira, dia 30 de março, às 8h06 (hora de Brasília), pela primeira vez, a colisão de feixes de prótons no acelerador gigante de partículas LHC. “Muitas pessoas esperaram muito tempo por este momento, mas sua paciência e dedicação está começando a render dividendos", comemorou Rolf Heuer, diretor-geral da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em francês, a instituição responsável pelo LHC).

O maior experimento científico do mundo consiste em colidir partículas no nível mais alto de energia já tentado, recriando as condições presentes no momento do Big Bang, que teria marcado o nascimento do universo, 13,7 bilhões de anos atrás.

O Grande Colisor de Hádrons (LHC), situado em um túnel subterrâneo circular de 27 quilômetros de extensão sob a fronteiro franco-suíça, começou a circular partículas em novembro passado, depois de ser fechado em setembro de 2008 por causa de superaquecimento.

A experiência teve sucesso depois de duas tentativas frustradas durante a madrugada. De acordo com os pesquisadores, ela abre portas para uma nova fase da física moderna, ajudando a responder muitas perguntas sobre a origem do universo e da matéria.

As colisões múltiplas a uma energia recorde (7 TeV, ou 7 trilhões de eletronvolts) criam "Big Bangs em miniatura", produzindo dados que milhares de cientistas passarão anos futuros analisando.

Acelerar prótons a 7 trilhões de eletronvolts significa que eles correm a 99,99% a velocidade da luz (cerca de 300 mil km por segundo), ou 11 mil voltas por segundo no megatúnel de 27 km.

Por: G1 - Ciência e Saúde

Acelerador de partículas faz primeiras colisões

O superacelerador de partículas (LHC, em inglês) construído em Genebra, na Suíça, promove amanhã os primeiros choques de prótons. Dois feixes vão circular em direções opostas num túnel de 27 quilômetros na fronteira entre a Suíça e França. 


Os especialistas esperam que a experiência revele como o universo foi criado e confirme teorias que até hoje estão sendo questionadas. A ideia é tentar reproduzir os momentos que se seguiram ao Big Bang, há 13 bilhões de anos, e detectar pela primeira vez a matéria escura. 



O projeto de R$ 18 bilhões e que já levou 20 anos de trabalho foi alvo de uma polêmica ao ficar fechado por mais de um ano para reparos. O teste de amanhã está levando à Genebra jornalistas e cientistas de todo o mundo. O Centro Europeu para a Pesquisa Nuclear (Cern) teve de organizar um esquema especial para atender ao fluxo de jornalistas.

Fonte: Zero Hora e do jornal O Estado de S. Paulo.

sábado, 10 de novembro de 2012

De onde vêm os nomes dos oceanos?

O do Oceano Atlântico tem origem mitológica; o do Pacífico, histórica; e os dos três restantes (Índico, Glacial Ártico e Glacial Antártico), geográfica. Atlântico vem de Atlas, filho de Netuno - que era, na mitologia grega, deus dos mares e pai das Atlântidas, como eram chamadas as Plêiades, aglomerado de sete estrelas na constelação de Touro. Já o batismo do Pacífico remonta a 1520, ano em que Fernão de Magalhães percorreu o litoral sul-americano a oeste da Cordilheira dos Andes e ficou impressionado com a tranqüilidade de suas águas. O Índico, por sua vez, recebe o nome das costas que banha: Índia e Indonésia. Já o Ártico - situado no Pólo Norte, sob a constelação da Ursa Menor - deve sua identidade à palavra grega arctos, que significa urso. Por simples oposição geográfica, denomina-se Antártico o oceano próximo ao Pólo Sul.

Como podem os icebergs, que ficam no mar, ser feitos de água doce?


Eles são enormes blocos que se desprendem das geleiras polares - que, por sua vez, foram formadas pelas neves da Era Glacial. São, portanto, de água doce e não devem ser confundidos com água do mar congelada. O nome vem do holandês ijsberg, literalmente "montanha de gelo". Estima-se que a formação dos atuais icebergs tenha começado há pelo menos 3 000 anos, quando se acumulou a neve que lhes deu origem. Esse acúmulo monumental faz com que, nas camadas mais profundas, a neve se transforme em enormes lâminas de gelo, compactada pela pressão das camadas superiores. Devido ao movimento de subida e descida das marés, grandes massas de gelo acabam se soltando da lâmina principal nas regiões costeiras, formando, assim, os icebergs, que saem flutuando a esmo pelo oceano. Os dois pontos principais de formação de icebergs são no Oceano Atlântico, na Antártida e na Groenlândia. Os que causam mais problemas são esses últimos.
Embora sejam maiores, os da Antártida costumam derreter antes de atingir as principais rotas de navegação. O maior iceberg já visto no Atlântico Norte, em 1957, atingia cerca de 180 metros só em sua parte fora d’água (que costuma equivaler a um nono da massa total desses blocos de gelo).

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Cientistas de Cambridge revelam como nós esquecemos as memórias ruins


Experimento aponta que nosso cérebro conta com duas estratégias básicas para tentar apagar aquelas lembranças indesejadas. Você já leu aqui na GALILEU que cientistas descobriram uma droga que apaga as memórias indesejadas de nossa mente.  Agora, se você é uma pessoa saudável e séria, que não costuma recorrer às drogas para resolver seus conflitos mentais, saiba que também já pode usufruir das maravilhas de ser o próprio editor do seu cérebro. Basta um pouco de ginástica cerebral. 


São dois os caminhos principais. Na chamada supressão direta a ideia é inibir o processamento do hipocampo que acontece no córtex dorsolateral pré-frontal direito. Isso significa que a pessoa corta o mal pela raiz e para de pensar naquilo assim que a memória ruim surge – você desconecta a parte do cérebro responsável pela retenção das memórias episódicas. Em outras palavras, a pessoa força seu cérebro a interromper o processo de lembrar de uma coisa, de qualquer coisa. A outra maneira é a substituição de pensamento. Essa estratégia funciona de maneira oposta à supressão: você deve forçar seu cérebro a pensar em outra coisa, estimular a recuperação de lembranças de outros episódios, mais agradáveis, de preferência. 

Para realizar o experimento, os 36 voluntários deviam memorizar pares de palavras para, em seguida, tentar esquecê-los. Foi esse processo que os cientistas olharam bem de perto, através da ressonância magnética, para chegar às conclusões do estudo. O mais incrível é que esses dois métodos, apesar de contarem com mecanismos opostos, acontecem naturalmente dentro de nossos cérebros – cada pessoa leva mais jeito pra um tipo de esquecimento. 


sábado, 1 de setembro de 2012

Brasileira recebe prêmio de física das mãos do 'autor' do bóson de Higgs

Flavia de Almeida Dias,de 25 anos, estuda novas partículas subaômicas. Em Julho, cientistas anunciaram a descoberta do que seria a 'partícula de Deus'.
A estudante de doutorado paulista Flavia de Almeida Dias, de 25 anos, recebeu um prêmio na Escócia das mãos do físico britânico Peter Higgs, autor da teoria do bóson de Higgs, ou "partícula de Deus", que pode ter sido achado no dia 4 de julho pelos cientistas do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern).
Após receber prêmio das mãos de Peter Higgs, Flavia posou com físico na Escócia (Foto: Unesp/Divulgação)
A jovem, aluna do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e integrante do Centro de Pesquisa e Análise de São Paulo (Sprace), tem analisado a existência de novas partículas subatômicas, ainda não previstas pelo chamado Modelo Padrão – conjunto de teorias mais aceito pelos físicos para explicar as interações que ocorrem na natureza e os elementos fundamentais da matéria. 
"Meu trabalho não descobriu nenhuma partícula 'exótica', mas isso também é importante, pois permite eliminar várias teorias", destaca Flavia, que se baseou em dados do Grande Colisor de Hádrons (LHC), acelerador de partículas de 27 quilômetros construído pelo Cern debaixo da terra, na fronteira entre a França e a Suíça. A apresentação do projeto dela foi no dia 22 de agosto, avaliada por uma comissão de diversos especialistas da área, como Peter Higgs. O júri levou em conta a qualidade do estudo e a forma como ele foi exposto ao público. "Peter Higgs, no mundo da física de partículas, é como um superstar. Todos sabem quem ele é, a importância de seu trabalho, especialmente este ano. Receber um prêmio das mãos dele foi uma honra e me deixou muito orgulhosa da minha pesquisa", diz Flavia, que sempre gostou de ciência e se diz motivada com esse reconhecimento.
A doutoranda, que mora na capital paulista, mas viveu um ano na Suíça e tem passado os últimos quatro verões no Cern, conta que Higgs fez perguntas sobre detalhes da análise enquanto ela se apresentava.
 "Ele me parabenizou enquanto entregava o prêmio, mas, além disso, é complicado ter uma conversa por causa do grande número de pessoas querendo fazer o mesmo e da idade avançada dele [83 anos]", afirma.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Polaridade entre átomos

  Certos elementos atraem elétrons com mais força do que outros, e por esta razão os pesquisadores sempre acreditaram que somente as moléculas feitas de elementos diferentes é que podiam alcançar o arranjo assimétrico eletrônico conhecido na química como momento de dipolo permanente. Essa ideia caiu por terra com um novo estudo publicado pela revista Science em que é afirmado que as moléculas feitas do mesmo elemento – neste caso, o rubídio – também podem participar deste tipo único de polaridade.
atomo1_.jpg
  Segundo o pesquisador Li Weibin e sua equipe, foi descoberta recentemente uma molécula que envolve um átomo de rubídio em seu estado fundamental e outro com um elétron de valência altamente excitada que foi unido por uma ligação eletrônica assimétrica entre os átomos. Vale explicar aqui que, durante o estado excitado, o elétron está em um novo nível de energia, enquanto o átomo em estado fundamental continua no estado original.
  Li e seus colegas descrevem a nuvem de elétrons excitados do átomo como uma extensão exterior tão forte que o outro átomo que em seu estado fundamental fica essencialmente subordinado dentro dela. Com base nesta geometria incomum, a molécula de rubídio adota um 
momento de dipolo permanente e atrai muito mais elétrons.



Fonte: http://blogs.estadao.com.br/radar-cientifico

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

2011, Ano Internacional da Quimica


A ONU elegeu 2011 o Ano Internacional da Química. Só isso já indica a necessidade de os vestibulandos prestarem atenção especial à disciplina. Ainda mais porque os cientistas estão celebrando dois centenários importantes: o da descoberta do núcleo atômico e o da concessão do Prêmio Nobel de Química a Marie Curie (1867-1934).
Segundo o professor do Instituto de Química da USP Guilherme Marson, havia um interesse crescente de cientistas em estudar a natureza do átomo naquela época. “Entre 1870 e 1930 nosso conhecimento sobre o átomo mudou de uma esfera maciça para o átomo quântico. Rutherford teve um papel essencial nesse processo ao encontrar um mundo dentro de outro mundo”, explica. “Suas descobertas tiveram impacto em conceitos centrais como os de elemento químico e a tabela periódica.”As descobertas do químico e físico neozelandês Ernest Rutherford (1871-1937) foram essenciais para a compreensão da estrutura da matéria. Em 1911 ele pesquisou o comportamento das partículas alfa, de carga elétrica positiva, quando incidem sobre lâminas de ouro muito finas. O cientista observou que a maior parte das partículas atravessava a lâmina como se fosse uma peneira, enquanto poucas eram desviadas ou até mesmo refletidas. Rutherford concluiu que a lâmina de ouro não poderia ser constituída por átomos maciços e justapostos, como se acreditava. Ele sugeriu, então, a existência, na estrutura do átomo, de um núcleo pequeno e de carga positiva, que concentrasse a maior parte da massa. E calculou que o raio desse núcleo seria pelo menos 10 mil vezes menor que o raio do átomo. No modelo proposto por Rutherford, os elétrons, de carga negativa, giravam ao redor do núcleo.
Marson diz que Rutherford contribuiu para o desenvolvimento da física nuclear. Falando nisso, Marie Curie, polonesa radicada na França e contemporânea do neozelandês, ganhou o Nobel de Química por isolar e caracterizar os elementos rádio e polônio. Depois os cientistas aprofundaram os experimentos com radioatividade, o que levou desde a construção de bombas atômicas até a descoberta de como tratar câncer por radioterapia, bem como ferramentas fundamentais na medicina, como as imagens por raios X. E também à manipulação de átomos para geração de energia em usinas como a de Fukushima, no Japão, parcialmente destruída por um terremoto no início do ano.